sábado, 31 de outubro de 2009

Um pequeno gesto

E se, de repente, virássemos todos crianças novamente? Se as pessoas tivessem de nos conquistar de novo, dia após dia, como se fosse a primeira vez que estávamos juntos? Como se começássemos do zero. Qual seria o resultado? Felicidade permanente ou instantânea? Um sorriso rasgado ou uma lágrima no canto do olho?

Agora que temos consciência do que é a felicidade e já temos alguma experiência de vida sabemos o quanto as pessoas nos podem desiludir. Assim será que nos deixaríamos enganar over and over again? As crianças não têm a capacidade de ser selectivas a informação que ouvem (daí que de vez em quando digam coisas que na realidade não queriam). Elas sim, esquecem. Queria ser como elas. Conseguir apagar coisas menos boas da minha memória. Queria conseguir olhar para uma pessoa e lidar com ela com indiferença. Esquecer todo o mal que ela me fez. Se conseguíssemos voltar a ser crianças, seriamos muito mais críticos tanto com nós próprios como com os outros.

Mas afinal o que descobríamos? Qual seria a conclusão a que chegávamos? Que tudo isto é impossível. Que as pessoas que hoje nos conquistam, amanhã nos desiludem. Que hoje podemos estar mais felizes que amanhã. Que temos de aproveitar todos os momentos como se fossem o último (porque o destino traz-nos coisas boas mas também más e troca-nos as voltas vezes sem conta sem pedir). Que hoje podemos não passar de uns egoístas e materialistas mas que ao longo do tempo aprendemos a dar valor às pequenas coisas, às coisas simples. Porque a vida é feita delas. Ainda que seja um simples sorriso de uma criança que nos é querida. É por isso que as crianças nos ensinam muito. Aprendemos a valorizar o gesto delas, por mais pequeno e insignificante que este pareça. Desperta-nos sentidos que nós próprios desconhecemos.


Inspiração: a minha Maria Clara

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O tempo é o melhor conselheiro


Quando a felicidade está no seu auge e pensamos que se melhorar estraga e que não queremos que nada mude, acontece algo que deita tudo por terra. Somos sujeitos a uma prova de fogo. Os sorrisos dão lugar às lágrimas, os suspiros de felicidade dão lugar à enorme vontade de partir, sem rumo, apenas partir para fugir a tudo o que nos traz lembranças de um passado brilhante. Infelizmente muitas vezes isso não é possível, somos obrigados a enfrentar dia após dia o pequeno pedaço de vida que queríamos apagar da “caixinha das memórias”.

Passam dias e dias em que nos olhamos ao espelho e pensamos: “não vales nada”. Porque o sofrimento deita abaixo tudo o que nós somos e deixamos de achar que vale a pena andarmos neste mundo. Um pedaço de nós hiberna, adormece, morre. Mudamos em parte algumas das nossas opiniões e até mesmo a maneira de ser. Mas lá no fundo somos as mesmas pessoas. Somos pessoas com uma maneira de ser e uma personalidade que ninguém imagina que temos. Muitos chegam a ter uma ideia errada a nosso respeito. E às vezes nem mesmo os mais próximos têm noção daquilo que nós somos de verdade.

O tempo não pára, não retrocede nem avança mais rápido, passa a um ritmo constante. Chega a um certo ponto que começamos a ganhar raiva a nós próprios por sermos fracos e por não conseguirmos virar esta página no livro da nossa vida que tantas feridas deixou. Achamos que nunca iremos conseguir ultrapassar tudo o que estamos a passar. Temos apenas e só uma coisa em mente: quero voltar ao que era. Felizmente existe uma coisa chamada “tempo”. Este elucida-nos a mente.

Damos muitos passos para trás mas esses passos são compensados com grandes pulos em frente, em direcção à luz. E um dia, sem sabermos como nem porquê, um pequeno acontecimento, como mais um ano nas nossas vidas, juntamente com outros anteriores e posteriores, fazem-nos perceber que tanta desilusão e sofrimento foi o destino a testar-nos e a fazer-nos perceber que venha o que vier havemos de ter sempre garra para dar pulos em frente.

Finalmente podemos respirar fundo e sentir que vale a pena viver e aproveitar as coisas boas que o destino tem reservado para nós. E como já dizia o provérbio “vão-se os anéis e ficam-se os dedos” e no final de contas percebemos que afinal as grandes amizades, aquelas que estiveram lá sempre, que gostam de nós tal e qual como nós somos e que nos apoiaram incondicionalmente, valem mais e são muito superiores a todas as outras coisas que vêm e vão.



Daniela Ribeiro Sousa
28/Out./09

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Instituto & sacrificios Parte II


Tive de esperar 2 meses até saber o tão esperado resultado. Os dias não passavam. Cada vez que me lembrava começava a chorar. Estava tudo menos segura do que tinha feito. Tinha medo de ter gasto mais de 150€ em vão, ia-me sentir muito mal mesmo.

Até que no início de Agosto, o telefone tocou... Era a teacher "the results had come out". "Ai meu Deus" pensei eu.

A voz dela parecia triste, desiludida. Essa voz disse-me "Oh S..." e eu disse "I failed!". Primeiro ainda disse que sim, mas pouco tempo depois antes de eu morrer de coração ela disse "Não chumbaste nada! 'Tás a brincar? Claro que não chumbaste". Ia explodindo de alegria.

As presenças nas aulas (ainda que quase a dormir por causa do cansaço), ficar em casa em vez de me estar a divertir com os amigos, o levantar ao sábado de manhã cedo... Tudo isto valeu a pena.

Que estranha sensação de dever cumprido quando, finalmente, me é entregue o certificado que me dá um pequeno sorriso ao meu currículo.
Isto só prova que só com muitos exercícios, excesso de trabalhos de casa e sacrifícios e que conseguimos alcançar os nossos objectivos. Ainda nem acredito que todos os sacrifícios valeram a pena :D

Instituto & sacrificios Parte I

Há cerca de 6anos atrás comecei a frequentar o chamado Instituto de Inglês. Sentia-me insegura por começar a estudar uma língua estrangeira tão diferente da minha.

A partir daí, 2 vezes por semana, depois de um dia de aulas lá ia eu ter mais uma hora extra de Inglês. Ao início achava graça, conheci pessoas novas ( que hoje em dia fazem parte do meu circulo de amigos) e as aulas eram divertidas. Contudo, à medida que os anos foram passando, os meus interesses foram mudando e começava a achar que afinal inglês não era assim tão difícil e que me conseguia "desenrascar" sozinha. Ainda assim, continuei a frequentar as aulas, ano após ano. Já fazia parte da rotina.

Até que o ano passado a exigência subiu a fasquia. Para além de ser 2 vezes por semana como de costume, uma delas seria ao Sábado. "Eina! não acredito! No único dia em que eu podia dormir até mais tarde, vou ter de me levantar as 8h da matina". Óbvio que a ideia não agrada a nenhum adolescente, ainda para mais que acabava de entrar no ensino secundário. Mas depois pensei: "Caramba! Há tantos anos que ando a caminhar para aqui e agora vou desistir? Estou a apenas 10s de conseguir obter uma medalha de bronze e vou deixar que os outros concorrentes me passem a frente?" Então depois de muito pensar cheguei a conclusão que era apenas mais um ano. Que horror ter 3h de inglês a um sábado de manhã e ainda levar montes de trabalhos de casa.

Quantas vezes depois do despertador tocar, inventava uma desculpa para mim própria como forma a faltar à aula e ficar na cama quentinha mais uma horinha? Muitas! Então no inverno, muito pior.

Quantas vezes à 6a feira a noite ainda estava a fazer os trabalhos de casa até às tantas (tenho uma amiga que se levanta as 5h da manha para os fazer antes da aula)? E logo naquelas 6as do festival da canção da minha escola e nas noites dos melhores filmes em que todos os meus amigos iam. O que é que eu estava a fazer e onde? Fácil, em casa a fazer tpc's para o instituto.

No final do ano, com uma média pouco segura, decidi arriscar e ir a exame (também porque o Xico sempre acreditou em mim). Lá fui eu um fim-de-semana em Junho para Coimbra resolver o bichinho. Era fácil, mas não o soube aproveitar.

sábado, 10 de outubro de 2009

Provas de amor

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Por vezes, quando acompanhados na rua ou num lugar público, cruzamo-nos por pessoas indesejadas naquele momento.

Ou porque estão acompanhadas por pessoas que não é agradável interromper (sempre a minha mania de arranjar problemas onde eles não existem) ou porque, simplesmente não tenho vontade de falar com ela ou reconhece-las.

Como é que me desembaraço?
Fácil. Sinto uma enorme necessidade de arranjar um tema de conversa (ou mesmo um sítio onde me possa distrair do mundo que gira a minha volta porque é horrível sentirmo-nos observados), para discutir com quem me acompanha, para evitar conversas inconvenientes e os típicos cumprimentos.

Devo confessar que a táctica nem sempre resulta e que consigo deixar os meus colegas a pensar “Hã? O que é que disseste?”. Agora já sabem a origem das conversas completamente inoportunas.