Agora que temos consciência do que é a felicidade e já temos alguma experiência de vida sabemos o quanto as pessoas nos podem desiludir. Assim será que nos deixaríamos enganar over and over again? As crianças não têm a capacidade de ser selectivas a informação que ouvem (daí que de vez em quando digam coisas que na realidade não queriam). Elas sim, esquecem. Queria ser como elas. Conseguir apagar coisas menos boas da minha memória. Queria conseguir olhar para uma pessoa e lidar com ela com indiferença. Esquecer todo o mal que ela me fez. Se conseguíssemos voltar a ser crianças, seriamos muito mais críticos tanto com nós próprios como com os outros.
Mas afinal o que descobríamos? Qual seria a conclusão a que chegávamos? Que tudo isto é impossível. Que as pessoas que hoje nos conquistam, amanhã nos desiludem. Que hoje podemos estar mais felizes que amanhã. Que temos de aproveitar todos os momentos como se fossem o último (porque o destino traz-nos coisas boas ma
s também más e troca-nos as voltas vezes sem conta sem pedir). Que hoje podemos não passar de uns egoístas e materialistas mas que ao longo do tempo aprendemos a dar valor às pequenas coisas, às coisas simples. Porque a vida é feita delas. Ainda que seja um simples sorriso de uma criança que nos é querida. É por isso que as crianças nos ensinam muito. Aprendemos a valorizar o gesto delas, por mais pequeno e insignificante que este pareça. Desperta-nos sentidos que nós próprios desconhecemos. Inspiração: a minha Maria Clara


