quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O tempo é o melhor conselheiro


Quando a felicidade está no seu auge e pensamos que se melhorar estraga e que não queremos que nada mude, acontece algo que deita tudo por terra. Somos sujeitos a uma prova de fogo. Os sorrisos dão lugar às lágrimas, os suspiros de felicidade dão lugar à enorme vontade de partir, sem rumo, apenas partir para fugir a tudo o que nos traz lembranças de um passado brilhante. Infelizmente muitas vezes isso não é possível, somos obrigados a enfrentar dia após dia o pequeno pedaço de vida que queríamos apagar da “caixinha das memórias”.

Passam dias e dias em que nos olhamos ao espelho e pensamos: “não vales nada”. Porque o sofrimento deita abaixo tudo o que nós somos e deixamos de achar que vale a pena andarmos neste mundo. Um pedaço de nós hiberna, adormece, morre. Mudamos em parte algumas das nossas opiniões e até mesmo a maneira de ser. Mas lá no fundo somos as mesmas pessoas. Somos pessoas com uma maneira de ser e uma personalidade que ninguém imagina que temos. Muitos chegam a ter uma ideia errada a nosso respeito. E às vezes nem mesmo os mais próximos têm noção daquilo que nós somos de verdade.

O tempo não pára, não retrocede nem avança mais rápido, passa a um ritmo constante. Chega a um certo ponto que começamos a ganhar raiva a nós próprios por sermos fracos e por não conseguirmos virar esta página no livro da nossa vida que tantas feridas deixou. Achamos que nunca iremos conseguir ultrapassar tudo o que estamos a passar. Temos apenas e só uma coisa em mente: quero voltar ao que era. Felizmente existe uma coisa chamada “tempo”. Este elucida-nos a mente.

Damos muitos passos para trás mas esses passos são compensados com grandes pulos em frente, em direcção à luz. E um dia, sem sabermos como nem porquê, um pequeno acontecimento, como mais um ano nas nossas vidas, juntamente com outros anteriores e posteriores, fazem-nos perceber que tanta desilusão e sofrimento foi o destino a testar-nos e a fazer-nos perceber que venha o que vier havemos de ter sempre garra para dar pulos em frente.

Finalmente podemos respirar fundo e sentir que vale a pena viver e aproveitar as coisas boas que o destino tem reservado para nós. E como já dizia o provérbio “vão-se os anéis e ficam-se os dedos” e no final de contas percebemos que afinal as grandes amizades, aquelas que estiveram lá sempre, que gostam de nós tal e qual como nós somos e que nos apoiaram incondicionalmente, valem mais e são muito superiores a todas as outras coisas que vêm e vão.



Daniela Ribeiro Sousa
28/Out./09

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