quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Berço

Queria escrever sobre ti. Gostava de conseguir transpor em palavras toda a beleza que vejo em ti. Transmitir a tranquilidade e a alegria com que me recebes ao fim de semana. Poderia dizer que nesta aldeia a Natureza reina mais do que na capital e que à semelhança de outras aldeias, a terra acolhe com agrado as culturas sazonais onde muitos encontram o sustento de uma vida. 

Muitos, aqueles que não sabem do que falam, consideram uma vida fácil, mas não o é, de todo! Acordar ao primeiro raio de sol, cavar até ele se pôr. Trabalhar quando todos os outros estão de férias... Tudo isso faz parte da vida de um camponês. 

Lugar de histórias antigas e tradições com sítios que poucos conhecem e exploram. As minas de carvão, a ponte romana, o forno antigo, a torre da igreja e, especialmente, o barreiro. O barreiro onde muitos viram e respiraram pela última vez. Talvez por isso seja um dos sítios mais calmos e bonitos, isolado da população. Onde o olhar se perde no reflexo da luz solar naquelas águas traiçoeiras.

Na aldeia onde eu nasci, todos se conhecem e todos respondem ao "Ó Ti'Maria" e ao "Ó Ti Manel". 
Na aldeia onde eu nasci, ouve-se gente a pedir "áuga" em vez de água.
Na aldeia onde eu nasci, dizemos bom dia a quem passa na estrada a pé ou de bicicleta.
Na aldeia onde eu nasci, a vizinha bate-nos à porta para pedir um quilo de sal que se esqueceu de comprar. 
Na aldeia onde eu nasci, acorda-se com cantar do galo e ouve-se os passarinhos a cantar.

A aldeia onde eu nasci, vai ser sempre a minha aldeia. 
Será sempre uma das mais belas e vai ser sempre bom voltar. Porque voltar é recordar, e recordar é viver :)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

What is love #1


"I'm in love with you," he said quietly.
"Augustus," I said.
"I'm in love with you, and I'm not in the business of denying myself the simple pleasure of saying true things. I'm in lovewith you, and I know that love is just a shout into the void, and that oblivion is inevitable, and that we're all doomed and that will become a day when all our labor has been returned to dust, and I know the sun will swallow the only earth we'll ever have, and I am in love with you."

John Green in "The fault in our stars"

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Se quiseres

Se quiseres, podemos ter tudo.
És tão melhor do que imaginas.
Não conheces o caminho é certo, mas eu também não.
Talvez juntos consigamos encontrá-lo.
(Afinal tentar não custa e nunca fez mal a ninguém.)
Dá-me a tua mão e vamos.
Devagar, mas vamos.
Arrisca.

Certezas, por mais que desejadas ninguém as tem.
Talvez achem que sim, mas nisso não acredito.
O que hoje é bom, amanhã poderá já não ser.
Não faz sentido?
Pois, a vida também é assim: por vezes confusa, por vezes mais clara.
(Mas é isso que a torna dinâmica, interessante e nos obriga a crescer.)

Acredito que a vontade é tudo.
"É a vontade que faz o homem grande ou pequeno."
É ela que ajuda a tornar o que sonhámos na realidade.
Arrisca.

Arrisca a por um pouco mais de ti naquilo que fazes. 
Arrisca a ser tu próprio em cada dia, em cada gesto, em cada atitude.
Arrisca...  

Há dias assim

Em que o cansaço impera e reina acima de tudo.

Aquelas oito horas... Benditas sejam...
Horas em que se espalha e colhe sorrisos, histórias e experiências de outros.
Horas em que a felicidade é tão instantânea e momentânea como se um pudim flan se tratasse.
Horas de trabalho, dinâmica.
Horas em que ganhamos outra vida e deixamos a nossa de lá, assumindo outro papel.


Mas no fim, tiramos a farda, saimos porta fora e encaramos de novo, a nossa vida (ainda que nunca tenha deixado de o ser).
Voltam as preocupações e "problemas" da nossa vida.
Com eles, o cansaço.
Aquele que denuncia as poucas horas dormidas e as insónias resultantes da ansiedade.
Aquele que te mantém simplesmente muda e teima em fechar-te os olhos.
Aquele que te faz desejar ter alguém que te transmita segurança e conforto ao teu lado, invejosa...

Mas tal não acontece.
As coisas mantém-se na incerteza, as preocupações não desvanecem.
Tento não pensar no assunto. Adormeço...

Hoje é assim.
Amanhã poderá ser diferente.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Paixão



‎"Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato. Por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria." - Miguel Esteves Cardoso

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Confiança

(...) Momentos em que tudo se põe em causa. Toda a verdacidade das palavras da pessoa em quem mais confiámos ontem e hoje... Porquê esconder? Porquê esta desconfiança? (...) Esta confusão, fez-me duvidar de tudo e de todos e questionar tudo e mais alguma coisa... Até que ponto é legítimo contar tudo a alguém? Depositar toda a nossa vida num ser humano frágil? Até que ponto devemos contar e desabafar tudo o que nos acontece na vida a alguém, a algo ou deixá-lo registado? Quais os riscos que corremos?

Tu, que me acompanhas de perto há tanto tempo, que tantas vezes me levantaste a cabeça quando ela estava em baixo. Tu que já tanto fizeste, tentaste e arriscaste por mim. És a mesma pessoa para quem olhei hoje e só me apeteceu chorar. (...)

29.01.2012

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Nonsense

Percebo que o ser humano é insatisfeito. Compreendo-o porque quando estou em Lisboa sonho com aldeia, mas quando estou na aldeia, sabe a pouco e anseio a liberdade.

Dois universos distintos se por um lado venero a tranquilidade, sinto a falta da agitação. A tranquilidade, porém, pareço nunca atingir em pleno como sempre sonho. Queria chegar e ser acolhida com um sorriso de quem me tanto esperou... Queria sentir que tudo está bem na minha presença ou ausência. No entanto, cada vez mais isso teima a acontecer.

Cada vez que venho, encaro-me com uma realidade diferente da que imaginava.
Cada vez que venho, deparo-me com mais um problema, mais uma preocupação...
Como se a saudade de tamanha calma e de afecto não me chegasse.

O ser humano é super insatisfeito.

Se estar na capital me faz sentir um navegador, em que vivo ao sabor do vento, a agitação e a rotina destroem-me e dou comigo a sonhar querer voltar à aldeia.
         

domingo, 27 de janeiro de 2013

Rascunho de 2030


Actualmente a crise e a falta de oportunidades de emprego, leva a maioria dos jovens a começar a sua vida profissional num país estrangeiro. Como tal, eu não serei excepção. Assim, daqui a 17 anos, Portugal será, muito provavelmente, o meu país de férias. Graças ao grande surto de emigração, por essa altura Portugal terá menos habitantes do que os que tem hoje, a população estará envelhecida e provavelmente nem reforma receberá. Nessa altura, terei o curso terminado e dedicar-me-ei ao exercício da minha profissão com paixão porque Enfermagem é também uma arte, a arte do cuidar.

Neste mundo moderno, o casamento e os filhos deixaram de ser uma prioridade e, muitas vezes são considerados quase como um luxo por todo o dinheiro que movimentam e envolvem. Talvez, viva com alguém que goste muito, ou, por outro lado, poderei ser apenas mais uma trintona solteirona como tantas outras.

No meio de tantas incertezas em que as probabilidades serão, certamente, influenciadas pelas oportunidades, a única coisa que considero ter a certeza é o facto de tentar aproveitar cada momento da minha vida, recordando-os com os meus amigos que me acompanham nesta “jornada”, que é a vida. Porque em dezassete anos, muitos namorados entrarão e sairão da minha vida de forma tão rápida com a luz de um relâmpago. Contudo, a minha família vai estar sempre presente. Muito provavelmente, pessoas como os meus avós não se encontrarão por cá mas estarão sempre comigo. Serei tia e no olhar dos meus sobrinhos inspirar-me-ei para ter um dia-a-dia com cor e alegria, porque no fundo as crianças são o futuro e o melhor da vida.

A nível pessoal, terei orgulho em conhecer metade do globo e terei mil e uma histórias e aventuras para contar aos meus. Transmitirei as minhas experiências e os valores com que cresci aos mais novos e serei uma pessoa realizada, a nível pessoal e profissional. Ultrapassarei as barreiras que se aproximem, ainda que muitas das vezes haja uma dificuldade maior nessas etapas.

Porque nada se consegue num estalar de dedos! Tudo isto implica trabalho, dedicação e, sobretudo, persistência, porque os que desistem nunca vencerão. Só os mais fortes, aqueles que não baixam a cabeça ao primeiro obstáculo e à primeira dificuldade, esses sim vão conseguir alcançar os seus objectivos.


É esta a lei da natureza, a lei da vida.