terça-feira, 1 de novembro de 2011

Famelga Reunida

                                


Há muito tempo que não tinha um almoço de família com tão bom ambiente entre os envolvidos, como no domingo.
Foi há tanto tempo que nem sequer me lembro de quando foi a última vez. Já sentia falta. Já tinha notado a ausência do telefonema da vóvó no sábado à noite a convidar para o almoço do dia seguinte, apenas porque lhe apeteceu. Apenas porque sim. Tinha ido comprar carne a mais ou estava cá a Ti não-sei-das-quantas. o motivo não era, de todo, relevante. Apetecia-lhe e pronto.

Finalmente um almoço sem rivalidades. Um almoço que deixa saudade dos tempos em que, todos os domingos à noite, os quatro filhos da minha avó, que na altura estavam por terras nacionais, se juntavam, sem qualquer aviso prévio, para comer o "caldito" como ela, carinhosamente, dizia. A família ia crescendo, então no jantar havia mais gritos de crianças e gargalhadas que outra coisa. Era o momento em que (quase) todos os primos se encontravam e conviviam. Chamavam-lhes os "terroristas" por serem todos mais ou menos da mesma idade (apenas tinham meses de diferença) e por nunca estarem quietos.

Não havia hora marcada. Iam-se juntando aos poucos. Por vezes, uns já tinham comido quando os outros chegavam. Gozávamos com a situação e com o facto de sermos muitos e já não cabermos à mesa. Dizíamos que era a 2ª mesa do restaurante. Tudo isto era uma espécie de ritual de domingo à noite. 

Mas, com o tempo, os filhos foram emigrando à procura de vidas melhores e hoje apenas sobram duas filhas por cá. Assim, a tradição do jantar em casa da avó ao domingo à noite acabou, ou pelo menos está suspensa. Resta, por agora, olhar para trás com uma lágrima no canto do olho e um sorriso nos lábios e recordar estes momentos com saudade. 

Talvez um dia voltaremos àquilo que éramos. Talvez um dia.

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