“É importante, aqui e ali, ceder. Ceder. Deixar ir, baixar os braços, encolher os ombros, dizer “tem de ser”, dizer “não há nada a fazer”. É importante, aqui e ali, ceder para não desistir. Ceder é a resistência a crescer. Ceder um pouco para sentir a força, aos poucos, a voltar. Ceder como suporte, como alicerce, para resistir.
Ceder para não desistir.
Quem desiste não cede – quebra. Rasga, rompe.
E cai.
Quem cede não quebra, não rasga, não rompe. E é por isso que não cai. Limita-se a dar um espaço, um pequeno flanco, para a dor entrar. E ela entra, sente-se confortável – torna-se confortável por dentro da pessoa que cede.
Torna-se confortável por dentro da pessoa que cede: aqui está uma boa definição de amor.”
"In Sexus Veritas", de Pedro Chagas Freitas
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